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Textos do Exército Zapatista de Libertação Nacional, do seu Sub[p]Comandante Insurgente Marcos e demais membros do Comité Clandestino Revolucionário Indígena - Comando Geral do Exército Zapatista de Libertação Nacional

25.5.04

JUNTA DE BUEN GOBIERNO HACIA LA ESPERANZA DEL CARACOL MADRE DE LOS CARACOLES MAR DE NUESTROS SUEÑOS.

La Realidad, Chiapas, México, 24 de Mayo del 2004.

A LA SOCIEDAD CIVIL NACIONAL E INTERNACIONAL
A LA PRENSA NACIONAL E INTERNACIONAL
A LOS ORGANISMOS DE DERECHOS HUMANOS NO GUBERNAMENTALES
A LOS INTELECTUALES HONESTOS

HERMANOS Y HERMANAS:

En los primeros días del mes de mayo, un grupo de compañeros bases de apoyo del EZLN y propietarios de unidades de TRICICLOS en la ciudad de Huixtla, Chiapas, acudieron a nuestra oficina ubicada en La Realidad, Chiapas en busca de justicia porque el mal gobierno y sus autoridades de transporte en el Estado los han amenazado y maltratado constantemente por el simple hecho de darle servicio a la población con sus unidades y lo que nuestros compañeros están haciendo no es una cosa ilícita, el trabajo que ellos realizan con sus unidades es sano, digno y para el bien de la ciudadanía y, estas unidades están registradas ante la COMISIÓN DE TRÁNSITO DE LA JUNTA DE BUEN GOBIERNO y sus propietarios son legítimos zapatistas, por tal razón denunciamos los siguientes:

PRIMERO: Nuestros compañeros Zapatistas de la ciudad de Huixtla, Chiapas, un grupo de 16 de ellos cuentan con unidades de TRICICLOS y ellos son: Israel, Antonio, Francisco, Transita, Eladio, Elita, Ciriaco, Marcos, Arturo, Adelina, Juan, Hermenegildo, Guillermo, Teresa, Saqueo y Mario y, todos prestan su servicio con la población de la ciudad de Huixtla.

SEGUNDO: El gobierno estatal y sus agentes de tránsito en esa ciudad han actuado en contra de estos compañeros, decomisando a sus unidades de trabajo por no cumplir los planes corruptos del mal gobierno, el día4 de Mayo del 2004 dos de sus triciclo de nuestros compañeros fueron detenidos por Jorge Luis Domínguez Ruiz delegado de tránsito en esa zona, unos días antes había sido detenido un triciclo, dichas unidades pertenecen a los compañeros Ezequiel, Eladio y Arturo sumando un total de tres unidades detenidas, pero nuevamente el día 17 de mayo fueron detenidos 5 triciclos más sumando un total de 8 unidades detenidas.

TERCERO: Estas acciones son indicaciones del gobierno del Estado de Chiapas, lo sabemos muy bien y estamos seguros de que está a su conocimiento todo lo que esta pasando porque el delegado de tránsito de esa zona ha manifestado de que sólo podrá liberar a las unidades si el gobierno del estado lo autoriza y es así como vemos que el gobierno del estado está haciendo esto y por esto lo responsabilizamos y a Fox que es quien da estas instrucciones, ¿dónde esta que prometió al pueblo de Chiapas de hacerle justicia? O es que quiere que nuevamente nos maten como los hicieron los compañeros y compañeras de Zinacantán, si es así, quiere decir que quiere sangre y la justicia se hace mediante razón, no con sangre.

CUARTO: Uno de nuestros compañeros tricicleros, también es amenazado en su propio domicilio por miembros de la policía judicial del Estado, porque el día 18 de mayo elementos de esta corporación llegaron al domicilio del compañero tratándolo de intimidar acusándolo de líder de la banda de tricicleros.

QUINTO: Por todo lo anterior y lo que pueda ocurrir con nuestros compañeros bases de apoyo tricicleros, responsabilizamos a Vicente Fox, a Pablo Salazar, al coordinador general del auto transporte del Estado, Jorge Luís Domínguez Ruiz delegado de tránsito de la zona e a Ignacio Márquez Flores presidente municipal de Huixtla, Chiapas y también por nuestro compañero Arturo Alvarado Gómez por lo que pueda sucederle por la persecución que él está sufriendo por parte de las autoridades oficiales responsabilizamos a todos ellos.

SEXTO: Por tal razón exigimos la inmediata liberación de los 8 triciclos detenidos y la libertad de trabajo para nuestros compañeros y de todos los que así lo quieran en lo posterior, de lo contrario no seremos responsables de lo que después pueda suceder porque nuestros compañeros tendrán que conquistar su trabajo para no morirse de hambre.

SEPTIMO: Hermanos y hermanas de la sociedad civil nacional e internacional, las cosas en este país nada está cambiando para bien, hay un cambio pero para mal del pueblo, este cambio nos obliga a dejar de ser pacíficos y nos orillan a otras cosas aunque no esa sea nuestra intención, pero no nos dejan de otra, estamos buscando medios para que en este país haya justicia y esos medios aun no los permiten, entonces ¿qué es lo que nos queda a nosotros?¿humillarnos otra vez?¿resignarnos nuevamente ante ellos? O que tenemos que hacer, nosotros no vamos a permitir más esto, está en ustedes hermanos y hermanas.

ATENTAMENTE
JUNTA DE BUEN GOBIERNO ZONA SELVA FRONTERIZA

15.5.04

Abril de 2004.

A quem interessar possa:

Começava a anoitecer. Ou seja, era como se a tarde estivesse preste a ir embora. Na voz cavernosa do rádio-transmissor, a notícia soou apenas como um galho que se quebra na quase noite do abril zapatista. Como se a interferência tivesse se calado por um instante, exatamente no memento em que, do outro lado do microfone, a voz dizia: "don Amado morreu".

Foi assim que me disseram que don Amado morreu. Pode ser.

Pode ser que don Amado já tenha morrido e o que ouvi não tenha sido um galho quebrado, justo quando abril vira a esquina do calendário para perder-se até o próximo ano, mas sim a notícia da sua morte. Mas se o que eu ouvi tivesse sido um galho quebrado, então poderia pensar que talvez don Amado não tenha morrido, e que só deve ter dado uma volta naquela esquina, que agora não o vemos, mas que no ano que vem voltará a aparecer.

Nós primeiro conhecemos don Amado e logo o vimos.

Conhecemos-no por sua palavra. Estava pendurada numa das folhas do tempo, e era como uma parede. E nós, então escondidos porque nos mostrávamos, nos aproximamos dessa parede do tempo e tocamos seu coração, ou seja, a sua palavra. Vimos que éramos vistos por esta palavra. Não o que éramos então nem o que somos agora, mas sim nossa casa de dor e sofrimento, nosso coração.

Quando nos mostrávamos ocultando-nos, nós o vimos. Já estávamos no meio da manhã do dia primeiro de janeiro de 1994. Chegou com um cachecol, seus óculos, uma espécie de agasalho ou jaqueta (não me lembro bem) e uma caderneta. Fez algumas perguntas. Anotou algo. Eu lhe perguntei: "Don Amado?". Não me lembro o que me respondeu. Quase não falou. Mas seu olhar olhava muito. Não havia nele a sentença de morte que muitos esbanjaram contra nós nas primeiras horas, tampouco a condenação ou a aprovação. Em seu olhar havia algo assim como... como se tratasse de entender. Nas vezes em que o encontrei de novo, continuava com este olhar. Tratar de entender é uma forma de respeitar. Sim, don Amado, nos respeitava.

E era correspondido. Ou é. Porque pode ser que tenha morrido. Mas pode ser que não.

Depois disso, da notícia ou do galho quebrado, a noite se prolongou como poucas outras vezes. Como se espichasse, mas não para espreguiçar-se, mas sim para cobrir todos os cantos, inclusive os que habitam em nós.

No dia seguinte... não me lembro se este outro dia foi há muito ou há pouco tempo. O tempo, quero dizer, o calendário, costuma nos enganar. Mas dizia a vocês que no outro dia, num dos povoados, estava sendo desmantelada uma das choças. Num instante sobrou só um montão de paus, tábuas e cachorros farejando.

O Velho Antônio se aproximou, com o martelo e o facão ainda nas mãos, contemplou os restos e disse: " esta casinha tinha lá seus anos e agora só fica sua história, a deste tempo resistindo e lutando". O Velho Antônio aceitou o isqueiro que lhe ofereci para acender o seu cigarro e continuou: "è assim quando alguém morre, não sobra nada, só a história do que fez e do que deixou de fazer... o tempo de cada um".

Se é que morreu, don Amado nos deixou sem sua casa e só nos restou sua história. Mas don Amado tinha, ou tem, um problema do qual nem todos padecem. Ele, no lugar do coração tinha uma casa, ora disfarçada de jornais ao tempo ou de folha de papel, ora de governo rebelde ou de contador de histórias.

E na sua casa, ou seja, no seu coração, há muito tempo, don Amado abriu suas portas e janelas para aqueles que são da cor da terra, e com eles partilhou o teto, o olhar, o ouvido e a palavra.

Dizem-me que don Amado morreu. Pode ser que sim. Ou pode ser que não, que não tenha morrido. Quem sabe.

Pode ser que seu coração, ou seja, a sua casa, não tenha um telhado para nós, que não nos olhe pela janela, que não entremos pela sua porta nem nos sentemos à sua mesa enquanto lá fora há a chuva, o frio, o sol, as nuvens. Ou pode ser que não, que não tenha morrido, e que, depois daquela esquina, a casa dele, ou seja, o seu coração, esteja ainda lá com a confusão que outros chamam "vida".

Eu, para falar a verdade, não sei se ele morreu ou não, mas sei sim que sua história, o seu tempo, está aqui, conosco, conosco que entramos em sua casa porque ele nos abriu a porta e fez isso porque lhe deu vontade. Porque há corações que são tão grandes que só pulsam quando estão com outros.

Don Amado era assim... Ou é assim... Eu, para dizer a verdade, não sei... A morte... talvez sim... talvez não...

Por isso, desta madrugada só tirei do chão um galho quebrado e o plantei num canto do meu acampamento. Não porque pense que ele ainda vai voltar, mas sim porque é um sinal para que don Amado, ao regressar do dar a volta por aquela esquina, saiba que ele tem um coração conosco, que é como chamamos por aqui a "casa".

Valeu don Amado. Saúde e bem-vindo.

Das montanhas do Sudeste Mexicano.

Subcomandante Insurgente Marcos.

México, abril de 2004, 20 e 10.

P. S. Ficamos assim, como se não tivéssemos completado o abraço. Com um silêncio pendente... Você consegue ouvi-lo?
Comunicado do Comitê Clandestino Revolucionário Indígena - Comando Geral do Exército Zapatista de Libertação Nacional. México.

Abril de 2004.

Aos familiares e amigos de Don Amado Avendaño Figueroa.

Ao povo do México

Aos povos do mundo.

Irmãos e irmãs:

Foi com muito pesar que soubemos do falecimento do senhor don Amado Avendaño Figueroa, lutador social e jornalista chiapaneco, ou seja, mexicano.

Don Amado foi um ouvido atento e respeitoso em relação à dor dos indígenas mexicanos mesmo antes do amanhecer da guerra contra o esquecimento. Em companhia de dona Concepción Villafuerte, e daqueles que com ambos faziam o jornal Tiempo, ouviu quando a maioria estava surda e olhou quando muito estavam cegos.

Foi por isso que, desde o início público do nosso levante, escolhemos o seu jornal como meio para dar a conhecer a nossa palavra. Não porque ele e aqueles que com ele trabalhavam concordassem conosco, mas sim porque concordavam em falar a verdade. Tempos depois, don Amado se candidatou a governador do Estado de Chiapas. Despojado do triunfo por uma fraude, se manteve em rebeldia e durante o seu mandato elaborou uma proposta para uma nova Constituição para o Estado de Chiapas, a mesma que está em nosso poder. Durante o seu mandato, e depois dele, acompanhou com respeito e atenção o processo de luta zapatista.

Com o falecimento de don Amado, o México perde um lutador coerente, Chiapas um de seus melhores filhos, os povos indígenas um irmão e os zapatistas um companheiro.

Longa vida a don Amado.

Das montanhas do Sudeste Mexicano.

Pelo Comitê Clandestino Revolucionário Indígena - Comando Geral do Exército Zapatista de Libertação Nacional.

Subcomandante Insurgente Marcos.

México, abril de 2004, 20 e 10.

"Sua morte, pode ser que sim, pode ser que não".

Exército Zapatista de Libertação Nacional. México
México, 30 de abril de 2004.

Para Dona Concepción Villafuerte

San Cristobal de las Casas, Chiapas. México.

Dona Conchita:

Receba, com toda a sua família, o nosso abraço que, apesar da distância, não é menos caloroso e irmão. Envio-lhe uma carta e um comunicado. É uma dessas cartas e um desses comunicados que nunca iríamos querer escrever.

Como quase sempre acontece conosco, o que calamos dirá mais do que falamos.

Valeu. Saúde e um silêncio que abrace.

Das montanhas do Sudeste Mexicano.

Subcomandante Insurgente Marcos.

México, abril de 2004, 20 e 10.

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